16 outubro 2010

Tempos modernos

Este espectáculo um bocado deprimente vai ter o seu fim amanhã quando for, de saco na mão, à estação dos correios para enviar estes cabos para a ABRAÇO.

Se este desperdício aconteceu em casa de uma sexagenária não muito consumista imagino o que irá por esse mundo "desenvolvido" fora.

Importante: não vai dar trabalho ou despesa. Os correios fornecem a caixa, marca-se com uma cruz o destinatário da nossa escolha e eles enviam grátis.

10 outubro 2010

A casa (16) - o passado de ilha

A casa não surgiu aqui por acaso. Houve um passado de algumas décadas em que a ilha era o paraíso anual. Essa sensação de nos aproveitarmos do paraíso teve sempre o seu sabor a pecado. Apesar da nossa postura correcta e consciente de preservação do ambiente, tínhamos bem a sensação de que havia naquelas férias uma grande contradição. Aquele espaço era público e não era justificável que desfrutássemos dele de uma forma tão privada. Ainda por cima tirando daí um prazer tão perfeito.

Ao fim da tarde o último barco levava os últimos banhistas para terra e a ilha ficava a ser um espaço só nosso. Nosso e de mais uma dúzia de pessoas que desapareciam dos nossos olhos. A casa na areia, o fogo que se acendia para assar as sardinhas enquanto as crianças tomavam banho no terraço, os pés no mar ao luar, as conversas intermináveis na areia ou à volta da mesa (o que era igual) ...

Depois, de manhã, com todos ainda a dormir, partia para terra no primeiro barco, só eu e o marinheiro. Compras no mercado, torrada, Público e café no largo, quando as cadeiras ainda não estavam todas nos seus sítios.

Tudo isso acabou, outras férias nasceram, agora que o mar fez justiça e a Câmara Municipal, sem alarde, com a aparente aceitação de todos, completou a tarefa.

A ilha já não tem casas. Está tudo certo. É só pena que o problema tenha sido resolvido no local em que quase não o era. Em contrapartida, na outra ponta que não se avista, o pesadelo é imenso.

Afinal de contas, o mesmo que alastrou por todo o Algarve.

04 outubro 2010

100 anos

Impossível não pensar numa época em que os murais nasciam a toda a hora nas paredes da cidade, ilustrando de imediato os acontecimentos. Saía-se de manhã e lá estava mais um. Se exceptuarmos aqueles em que operários apareciam com caras de criminosos (nunca percebi qual a intenção), os murais em Lisboa eram muito festivos e alguns mesmo lindíssimos.

Tudo muito diferente desta vaga de grafitis que surgem mal um edifício é restaurado e que fazem nascer em mim ondas de desejos de repressão e vingança.

01 outubro 2010

O jantar

O Jantar aconteceu.

A Associaçao de Cabo Verde foi escolhida a propósito já que a D. Berta é nascida em Cabo Verde, na ilha de Maio. Para além de caboverdiana é portuguesa e guineense. Talvez seja daí que lhe vem o coração do tamanho do mundo ...

Na mesa brilhou uma cachupa, na sala houve música de Cabo Verde e da Guiné-Bissau. A D. Berta, com o seu sorriso doce de sempre, foi mimada por todos. Amanhã lá vai para Bissau, para a sua varanda cheia de sombra e de cor.

Boa viagem, D. Berta. Espero bem ir visitá-la em breve.

À saída tive a oferta de dois LP. Um desles é a gravação da mensagem de Ano Novo de Amílcar Cabral, apelidada de Testamento Político. A curiosidade é imensa e só tenho de procurar um prato para o ouvir. Há anos que tal não existe em minha casa.

27 setembro 2010

D. Berta

Acabo de ser informada de que a D. Berta está em Lisboa até dia 1 de Outubro e de que haverá um jantar em sua homengem, na Associação de Cabo Verde (ao Marquês de Pombal), na quinta-feira.

Como sabe quem a conhece, ela adorará ter a casa cheia.

Quanto a mim será uma boa oportunidade de rever gentes que conheci por lá.

Associação de Cabo Verde / R. Duque de Palmela, 2 / Lisboa

Contacto: Vanda Medeiros (vandamedeiros@gmail.com)

26 setembro 2010

Essenciais - o telemóvel

Mais do que essencial é indispensável.

Durante 4 anos tivemos que lidar com a inexistência de telefone. Nem fixo. Teoricamente, havia um ou outro (na Embaixada, por exemplo) mas apenas eram usados para falar para o estrangeiro uma vez que não havia para quem ligar localmente.

Com, na época, cinco locais de trabalho e vinte professores espalhados pela cidade, oupados em actividades de toda a ordem para além das docentes, foi obra! Criar Oficinas de Língua Portuguesa a partir do nada, sem que se pudesse combinar ou encomendar por telefone, obrigava a deslocações constantes. Novo porblema, dado dispormos de uma única viatura, sempre na oficina. Havia sobretudo que combater as não comparências, os atrasos e para tal tinha que se encontrar o outro, sabe-se lá onde.

Foi-se conseguindo. As coisas foram-se construindo peça a peça, até ter surgido em 2004 esse recurso divino - o telemóvel.

Dei com ele de repente, numa missão. Já se vinha falando da hipóese mas era difícil de imaginar que tal se viesse a verificar. Na Bissau de então, um aparelho a funcionar, fosse qual fosse, era milagroso, um sem fios era verdadeiramente sideral. Odisseia no Espaço, na Guiné-Bissau.

Pois não só surgiram como em poucos meses invadiram o mercado. Satisfaziam uma necessidade muito maior do que por cá e portanto a invasão foi instantânea. Todos os guineenses, pelo menos em Bissau, passaram a ter um. Simultaneanente, nasceram procedimentos que a satisfazem de forma rápida e barata. Comprar um aparelho é a coisa mais simples, carregá-lo é a coisa mais barata do mndo. Num país sem multibanco, o tm carrega-se por cartão ou mini-cartão, que se vendem por todo o lado, na rua, nas lojas e em locais expressamente criados para o efeito.

Toda a gente passou a telefonar, por vezes não se percebe como!

21 setembro 2010

Guiné-Bissau

Fotos de Marta Jorge

Eu sei que tenho andado entretida com "a obra" e que, como resultado, tenho abandonado aqueles que visitam este blog essencialmente para conhecerem melhor a Guiné-Bissau ou para matarem saudades do país. Há pois quem se queixe.

Esta minha divisão entre cá e lá está traduzida no próprio nome do blog, criado alguns meses antes do meu regresso a Portugal. Quando descobri o prazer de publicar os posts arrependi-me muitas vezes de não ter inicado o blog antes, pelo menos a partir do momento em que tive acesso à net em casa.

Agora que estou cá, não ponho a hipótese de abandonar os posts sobre a Guiné-Bissau, terra a que fiquei ligada para sempre, e nem sequer de mudar o nome do blog. A minha vida por lá mudou para sempre a minha vida por cá. Portanto, enquanto houver blog, ele será este que será a minha maneira de prestar tributo àquelas gentes de quem tanto gosto.

Mas como percebo que há muito quem queira mais África, prometo criar uma lista de blogs sobre a Guiné-Bissau que incluirei na rubrica "Visito sempre".

Talvez assim seja perdoada.