18 outubro 2010

Outras obras

Em vez de casas a ilha tem agora gruas que trabalham para abrir uma nova barra. Parece que a existente que separa a ilha da de Tavira está açoreada e a nova vai ser cortada um pouco ao lado da abertura feita pelo mar no último inverno.

Há em terra, no cais de embarque, um painel com a localização dos trabalhos, com um pedido de desculpas pelo incómodo e pouco mais. Sobre as razões da opção, nem uma palavra. Mais uma vez considera-se que o cidadão comum não merece saber por que lhe vão cortar a ilha ao meio, mesmo ao lado do ancoradoro onde chega e donde parte. Por que razão vão tornar impossíveis os longos passeios para nascente.

Há seguramente boas razões para tal mas por que não mereço ser informada?

16 outubro 2010

Tempos modernos

Este espectáculo um bocado deprimente vai ter o seu fim amanhã quando for, de saco na mão, à estação dos correios para enviar estes cabos para a ABRAÇO.

Se este desperdício aconteceu em casa de uma sexagenária não muito consumista imagino o que irá por esse mundo "desenvolvido" fora.

Importante: não vai dar trabalho ou despesa. Os correios fornecem a caixa, marca-se com uma cruz o destinatário da nossa escolha e eles enviam grátis.

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10 outubro 2010

A casa (16) - o passado de ilha

A casa não surgiu aqui por acaso. Houve um passado de algumas décadas em que a ilha era o paraíso anual. Essa sensação de nos aproveitarmos do paraíso teve sempre o seu sabor a pecado. Apesar da nossa postura correcta e consciente de preservação do ambiente, tínhamos bem a sensação de que havia naquelas férias uma grande contradição. Aquele espaço era público e não era justificável que desfrutássemos dele de uma forma tão privada. Ainda por cima tirando daí um prazer tão perfeito.

Ao fim da tarde o último barco levava os últimos banhistas para terra e a ilha ficava a ser um espaço só nosso. Nosso e de mais uma dúzia de pessoas que desapareciam dos nossos olhos. A casa na areia, o fogo que se acendia para assar as sardinhas enquanto as crianças tomavam banho no terraço, os pés no mar ao luar, as conversas intermináveis na areia ou à volta da mesa (o que era igual) ...

Depois, de manhã, com todos ainda a dormir, partia para terra no primeiro barco, só eu e o marinheiro. Compras no mercado, torrada, Público e café no largo, quando as cadeiras ainda não estavam todas nos seus sítios.

Tudo isso acabou, outras férias nasceram, agora que o mar fez justiça e a Câmara Municipal, sem alarde, com a aparente aceitação de todos, completou a tarefa.

A ilha já não tem casas. Está tudo certo. É só pena que o problema tenha sido resolvido no local em que quase não o era. Em contrapartida, na outra ponta que não se avista, o pesadelo é imenso.

Afinal de contas, o mesmo que alastrou por todo o Algarve.

04 outubro 2010

100 anos

Impossível não pensar numa época em que os murais nasciam a toda a hora nas paredes da cidade, ilustrando de imediato os acontecimentos. Saía-se de manhã e lá estava mais um. Se exceptuarmos aqueles em que operários apareciam com caras de criminosos (nunca percebi qual a intenção), os murais em Lisboa eram muito festivos e alguns mesmo lindíssimos.

Tudo muito diferente desta vaga de grafitis que surgem mal um edifício é restaurado e que fazem nascer em mim ondas de desejos de repressão e vingança.

01 outubro 2010

O jantar

O Jantar aconteceu.

A Associaçao de Cabo Verde foi escolhida a propósito já que a D. Berta é nascida em Cabo Verde, na ilha de Maio. Para além de caboverdiana é portuguesa e guineense. Talvez seja daí que lhe vem o coração do tamanho do mundo ...

Na mesa brilhou uma cachupa, na sala houve música de Cabo Verde e da Guiné-Bissau. A D. Berta, com o seu sorriso doce de sempre, foi mimada por todos. Amanhã lá vai para Bissau, para a sua varanda cheia de sombra e de cor.

Boa viagem, D. Berta. Espero bem ir visitá-la em breve.

À saída tive a oferta de dois LP. Um desles é a gravação da mensagem de Ano Novo de Amílcar Cabral, apelidada de Testamento Político. A curiosidade é imensa e só tenho de procurar um prato para o ouvir. Há anos que tal não existe em minha casa.