29 Novembro 2009

Covilhã

Tem sido surpreendente este descobrir que pertenço um pouco a uma terra onde não nasci, onde nunca vivi e onde não fui durante 30 anos. Voltei agora e lá tenho tratado de assuntos bem prosaicos. São esses que também sustentam os laços.

A pouco e pouco voltam pontas de memórias, sempre muito frias, à volta da camilha, ou muito quentes, em frente a um castanheiro gigante, coberto de ouriços, que entrava pela janela da cozinha. Claro que há também recordações de iguarias, algumas bem locais, mas isso será assunto para outros posts.

20 Outubro 2009

Outono

Época de muitos projectos, cadernos novros, livros forrados de fresco. A idade foi mudando mas o outono continuou a ser isso mesmo - tempo de preparação. Este ano tem sido também tempo de recuperação. Depois de vários anos por outras paragens, por outras casas de que só em parte me apoderei, a relação com a decididamente minha está um pouco abalada.

Assim, tem sido tempo de organização, arrumação e depuração. Há que reduzir, embora saiba que o espaço ganho vai ser rapidamente ocupado pelo produto da minha actividade de respigadora.

A casa vai-se tornando cada vez mais um puzzle de bocadinhos de outras casas, umas que me viram crescer, outras de gentes com histórias que jamais conheci. Os passeios da cidade estão sempre ali. O que seria da minha casa se não houvesse quase sempre ao lado um "Oh mãe, isso não!" ...

Estes senhores foram apanhados há talvez 7 anos na Elias Garcia, numa manhã de sábado cheia de sol. Estão em frente à minha porta de entrada e, para além de fazerem sorrir fornecedores, têm tido um papel importante na evolução dos netos. Começam por ter muito medo deles e pouco a pouco vão-os enfrentando com crescente à vontade. Aos 18 meses o assunto está resolvido.

Quanto a mim, acho-os muito úteis, para além de me continuarem a fazer sorrir, após tantos anos. Nestes dias têm-me ajudado a põr um pouco de ordem por estes lados, enquanto os vou entretendo com um peixe das ilhas Bijagós.

15 Outubro 2009

Cadeiras?

Fotografia de Cristina Salvador
E
Design de Kenneth Cobonpue

E por vezes, lá como cá, as cadeiras viram tronos.

12 Outubro 2009

Máquina nova

Aconteceu! Comprei uma máquina fotográfica. Agora terei que ler as instruções, operação que detesto e que adio sempre até nunca. Entretanto vou aprendendo o mínimo, aqui e ali à medida das oportunidades e dos mais disciplinados do que eu.

Vão-me fazer falta uns certos amigos que partiram há semanas para Bissau e que deixei de ter ali, mesmo à mão, prontos a resolverem qualquer dúvida tecnológica que surgisse.

Adoro a minha máquina embora isso não impeça que não tenha ainda conseguido colocar uma única fotografia neste blog. É essa uma das razões desta lamentável paragem. As outras têm sido problemas informáticos em cascata e uma certa aflição quando ao interesse deste blog, feito a partir de Lisboa. Textos não faltam mas será que se justificam?

Obrigada de qualquer maneira a todos aqueles que pacientemente têm esperado pelo fim do bloqueio e até me têm repetidamente encorajado. Esperança! Isto há-de ter um fim.

27 Setembro 2009

2º volta

Enquanto por cá me deixava embalar pelo barulho das ondas, em Bissau, à beira de águas silenciosas, teve lugar a 2ª volta das presidenciais. O período de campanha decorreu sem incidentes e o dia da votação, como sempre, foi uma grande lição de democracia dada ao mundo.

A Guiné-Bissau no seu melhor, justificando o aumento da ajuda internacional.

Escrevo estas linhas depois de ter ido votar, em Lisboa, para as legislativas. Tomo consciência de que em menos de um ano terei seguido de perto 6 momentos eleitorais (3 cá e 3 lá). Não sei é muito bem o que é o cá e o lá.

26 Setembro 2009

Peixes

Acho emocionante recolher, apanhar, o que quer que lhe queiram chamar. Uma árvore com frutos, uma horta (como adoro hortas bem arrumadas!) bem recheada, um barco prestes a chegar da faina são programas a que não resisto.

No caso do peixe o entusiasmo é maior ainda porque há uma dose de suspense. A rede virá vazia? Serão muitos os peixes? De que feitios? Será que mos vendem?

Fomos pois ao porto de pesca. Muito pequenino, lá no fundo. Os dois barcos já tinham chegado e o produto da pesca apenas cobria o fundo do alguidar. Quase nada e já guardado para amigos.

Desiludida, regressei a casa pronta a fazer uma pratada de peixinhos da horta. Ficaram muito bons, embora na fotografia possam parecer um pouco oleosos.

E a cobrir a mesa, lá esteve sempre presente a Guiné-Bissau, mais precisamente o mercado do Bairro Militar.

25 Setembro 2009

Durante quinze dias tive direito àquilo que, diariamente, me fazia sonhar um pouco em Bissau, a saber:

Torradas fininhas de pão alentejano, muito bem passadas, com pouca manteiga

2 cafés curtos 2

Público em papel

Tive tudo isto para além dos netos, com direito a uma ou outra birra e tudo.

Como pano de fundo, o barulho do mar, o cheiro a algas e as falésias de pedra negra. Belas, de cortar a respiração. Muita coisa que não tive nesse "plat pays qui est (aussi) le mien".

Logo, não me faltou nada.