Recebi da Embaixada um pedido de socorro, mas daqueles de que eu gosto. Um semanário de Portugal precisava de material sobre um/a jovem guineense para o próximo suplemento Júnior, dedicado à Guiné-Bissau. Mandavam o equivalente já publicado sobre um jovem de S. Tomé e Príncipe, para se ter uma ideia. Explicavam que a história da criança deveria deixar perceber as particularidades da cultura guineense. Quanto a isto, nada mais fácil. A distância entre o dia-a-dia de um jovem guineense e o de um português é imensa.
Explicavam também que, apesar da urgência do pedido, era importante que o suplemento pudesse contar com a entrevista, evitando-se assim que se atribuísse a falta dela à instabilidade do país.
Fez-se! e a imagem da Maimuna que tanto deseja um dia ir para Portugal com uma bolsa de estudo para tirar Medicina, vai andar por esse país muito proximamente, nas mãos de todos.
O material que enviei foi considerado fantástico o que não foi virtude minha. A história da Maimuna tinha vários ingredientes de sucesso: religião muçulmana, mãe de etnia diferente da do padrasto, família numerosa vivendo sob o mesmo tecto, irmãos de pais diferentes, alimentação bem guineense, papel importante nas tarefas domésticas, duas línguas maternas nacionais e aprendizagem do português na escola... Além disto fiz questão que fosse uma rapariga.
Resta agora saber se as fotografias têm a definição necessária. Mais uma vez tropeço no problema das fotografias. A primeira coisa que vou fazer em Lisboa vai ser comprar uma máquina e juro que, pela primeira vez, vou ler um manual de instruções com todo o cuidado. Vou estudá-lo!
O que não se faz por um blog?!
Na fotografia deste post a Maimuna tem, como fundo, salas de aula em quiritim e na árvore pode-se ver pendurada uma jante que nas escolas guineenses funciona como sino para marcar o início e o fim de cada aula.