A 3ª e 4ª fotos são da Marta Jorge
Mas no meio da mercadoria aos bocadinhos de que falei há dias aqui, há a grande excepção - o arroz. É desejavelmente comprado em sacas de 25 ou 50kg pois as famílias são grandes e ... quase só se come arroz. Para quando não há meios lá está o caneco para medida.
Nas nossas Oficinas de Língua Portuguesa o arroz acabou por ter um lugar especial que nos empolgava a todos. As Oficinas contavam com trabalho diário totalmente voluntário de jovens que viam aí uma oportunidade de aprenderem um pouco de tudo com os professores portugueses - informática, como catalogar os livros, como prestar apoio aos leitores, como construir o placard e muito mais. Mas sobretudo permitia-lhes tornarem-se pouco a pouco senhores daqueles oásis que eram as salas das Oficinas e simultaneamente aperfeiçoarem o português, no convívio diário com os professores. Estes tornaram-se modelos que todos os colaboradores queriam copiar.
No Natal e no fim do ano lectivoe, sempre que os meios o permitiam, passámos a oferecer um presente que mostrava como considerávamos importante a sua ajuda. Invariavelmente perguntávamos se queriam arroz ou dinheiro e a resposta era sempre a mesma: arroz. Explicavam-nos que era muito importante para eles chegar a casa e oferecerem-no à família. Garantirem a alimentação de todos durante uns dias era para aqueles jovens um prazer que lhes conferia estatuto de adulto responsável Outros os alimentavam durante o resto dos dias e havia que participar num assunto que é de todos - a subsistência familiar.
Os professores do projecto passaram assim a tratar da compra, transporte e distribuição de perto de 2,5 toneladas de arroz. Ao melhor preço, nas melhores condições.
Muito aprendemos naqueles anos!












