02 setembro 2010

A casa (13) - o salitre.

Fotos de Cristina Salvador

Na terra tem-se pretendido, ao forrar com azulejos fachada e paredes interiores, evitar o salitre que é constante por estas bandas (e não só). À medida que se forram as paredes ele, inabalável, reaparece mais acima. Por vezes os proprietários acrescentam azulejos, conseguindo-se assim verdadeiras casas de banho, encimadas pelo inimigo invencível.O drama é aumentado com o uso de tintas plásticas, claro.

O Sr. F. está atento ao problema e tem fé nos seus truques a nível do reboco. Para além disso, vai ser usada cal, por fora e por dentro. O facto de ele ter concordado prontamente com isto foi a primeira razão que me fez crer que ele era a escolha certa como empreiteiro de uma obra tão especial (não são sempre as obras especiais para o proprietário?).

Possa eu continuar a dizê-lo, aqui, dentro de alguns meses.

01 setembro 2010

A casa (12) - o pátio

O pátio tem cerca de 3m2. Fica ao fundo do corredor, o tal do tecto redondo, e embora fosse praticamente ao ar livre era usado como cozinha e despejos (penso que era o termo usado). Para o tornarem útil em tempo chuvoso colocaram-lhe um tejadilho de fibrocimento.

Peça essencial era o tanque em cimento igual a este que fez as delícias da criançada na casa alugada em Julho. O da casa já foi despedaçado, como era de esperar. Não se duvida que é muito mais fácil retirar e transportar um tanque em pedaços mas dói pensar na marreta a despedaçar uma coisa que foi tão útil e que ainda poderia ter uma segunda vida na açoteia.

Ainda mais grave é fazerem exactamente o mesmo a lava-loiças em mármore, impecávais, para serem substituídos por outros em inox. É considerado banal.

Por estas bandas, não havia lava-loiças e mármores nem vê-los. Fui poupada a esse desgosto.

30 agosto 2010

A casa (11) - os objectos

Apesar de tão pequena a casa terá de ser equipada. Prazer máximo!

Terá alguns objectos da defunta casa de praia, anulada há anos. Esta casa foi comprada pouco depois e é, de certa forma, sua sucessora. Haverá portanto algumas memórias dela.

Haverá também, espero, um ou outro da minha casa de infância. Mas sobretudo terão um lugar especial os objectos trazidos de Bissau. Alguns deles chegaram hoje, juntamente com uma provisão de manteiga de karité sem a qual já não sei viver. Que alegria recebê-los.

Que saudades de lá!

29 agosto 2010

A casa (10) - "as pregas"

Fotos de Francisco Nogueira

As "pregas" de cada lado da porta já tiveram fim à vista. Salvou-as o facto do Sr. F. estar tão avisado de que eu sou insuportavelmente controladora. Pediu licença para desviar a porta 10cm e não a obteve. Amigos como dantes. Salvaram-se e com elas um pouco da graça da casa.

Sim, eu sei que a casa não tem quase nenhuma mas é uma das poucas da terra que ainda não levou "melhoramentos" que consistem em azulejos exteriores, azulejos interiores, para além de porta e caixilharia em alumínio.

Espero portanto que a futura casa continue a ter direito aos seus pregueados.

25 agosto 2010

A casa (9) - os mosaicos

Na oficina do Mestre Zagalo fiquei maravilhada com os procedimentos, com a justeza da sua execução e também com as formas e as grelhas.

Naquele dia estavam duas pessoas a trabalhar com o mestre e as formas iam passando de mão em mão, conforme as competências de cada um. Os mosaicos iam saindo a um ritmo cadenciado mas lento, claro está. Como poderia um trabalho destes dar origem a um material barato?

Confronto-me com a dificuldade da escolha porque para além de achar quase todos os desenhos bonitos, não existe um catálogo que me possa ajudar. É uma decisão muito importante para o sucesso do desafio. E se me engano na escolha?

24 agosto 2010

A casa (8) - o chão

Como muitos citadinos, cresci a sonhar com chãos de tijoleira, escuros, resplandecentes ou como os algarvios, amarelados, baços e rugosos.

Quando há mais de 20 anos pude escolher o material de um chão de casa de praia, não hesitei e entrei num inferno de que só saí quando me desfiz da casa. Opiniões sobre tratamentos de manutenção, receitas de produtos para preparação, houve de tudo. Ou era falta de gordura ou gordura a mais, o facto é que nunca atingi a perfeição. Esforcei-me mas não com a obstinação ou a inspiração necessárias. O chão foi sempre um desastre e era sempre motivo para mais uma solução milagrosa apresentada por quem me visitava pela primeira vez. Prefiro esquecer.

Agora vai haver de novo um chão, o tal de 29 m2. Quero-o limpo, sem nódoas e sem dramas. Tijoleira, já dei. Há 25 anos cheguei a pensar em mosaico, daquele pintalgado dos anos 50, mas faltou-me a coragem para usar na minha casa de férias exactamente aquilo de que me queria desfazer na minha cozinha de Lisboa. E nem o facto da Bica do Sapato ter um de que eu gostava me fez pôr de lado a ideia da tijoleira.

Agora é diferente. A Rosa Pomar tem vindo a fazer uma recolha de mosaicos hidráulicos antigos e divulgou a arte do Sr. Lúcio Zagalo aqui. Tem sido um trabalho notável que se espanta que não tenha sido feito pelas entidades públicas.

Fui pois a Estremoz visitar a oficina e ver o Mestre trabalhar. Fotografei mosaicos e formas e agora vou ter que escolher. Difícil tarefa quando a oferta é tão grande. Pus de lado os padrões maiores e também os que têm relevo em trompe-l'oeil ou cores demasiado marcantes. Não quero que o chão tome conta do espaço. Para isso estou cá eu.

A casa (7) - o descasque

Fotos de Inês Nogueira

A obra começou. Com derrube e descasque o local transformou-se num campo de batalha, depois da batalha. Mas não há dúvida que perdeu em parte o aspecto decrépito.

É agora visível que muita coisa vai nascer depois da tormenta actual.